sábado, 3 de novembro de 2012

Zumbi e o "Mês da Consciência Negra"



O mês de novembro é denominado do “Mês da Consciência Negra”, em homenagem a memória de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, assassinado no dia 20 de novembro de 1695, lembrando que aquela comunidade, assim como outros quilombos representavam um local de luta e resistência da população negra, que não aceitava viver no regime da escravatura e buscavam organizar um modelo diferente de organização social.
A construção desse modelo se baseava nas mudanças nas relações política, econômica e comunitária se contrapondo ao regime colonial da época, o que levou ao crescimento dos quilombos, notadamente o de Palmares, que resistiu por mais de um século as tentativas de destruição da elite branca de então, sendo constituído, principalmente, por escravos e escravas dos engenhos de açúcar.
A morte de Zumbi e o massacre do Quilombo dos Palmares representam um momento importante da História do Brasil, servindo de exemplo para lutas posteriores da população afro-brasileira, que, ao longo do tempo, continuou sendo colocada em segundo plano até os dias atuais, apesar do fim da escravidão ter ocorrido há mais de cem anos.
A celebração do “Mês da Consciência Negra” é uma oportunidade para desmitificar a ideia que no Brasil há uma “democracia racial”, com igualdade de direitos entre as pessoas, independente da cor da pele, a qual é defendida pela elite com a propagação através da mídia conservadora e, infelizmente, possuindo aceitação de determinados segmentos sociais.
Outra questão que deve ser desmitificada se refere ao discurso que os casos de preconceito e discriminação são fatos isolados, o que não condiz com a verdade, pois a população negra vem passando por atos discriminatórios nas esferas de relacionamento da sociedade brasileira, apesar de todo aparato legal contra tal prática.
É importante ressaltar que as atitudes racistas nem sempre ocorre diretamente, se verificando uma camuflagem através de atitudes sutis, como, por exemplo, um olhar, mostrando que o preconceito racial é algo que se encontra enraizada nas pessoas, devido, possivelmente, ao processo histórico de formação do Brasil.
Como forma de combater o argumento da existência de racismo, são citados os exemplos isolados de pessoas negras que alcançaram posições de destaques na sociedade brasileira, querendo passar a ideia que outras poderiam se encontrar em situações semelhantes, o que não é verdadeiro, pois a maioria da população de origem afro-brasileira não teve e ainda não tem condições e oportunidades sociais e econômicas para trilharem no mesmo caminho.
Em contrapartida a tese que o problema brasileiro é social e não racial, defendida por alguns segmentos sociais, seria interessante observar a cor das pessoas que mais sofrem problemas decorrentes das mazelas do capitalismo, ou seja, a exclusão social atinge em larga escala a população negra, demonstrando que os problemas social e racial estão associados.
A exclusão negra no Brasil é, portanto, um fato concreto, se verificando que a mesma permanece nas senzalas que, nos dias atuais, são representadas pelas favelas, morros e as ruas das cidades, sofrendo preconceito diante suas manifestações culturais e religiosas, vivendo de profissões e atividades ainda discriminadas por setores da sociedade, entre as quais empregadas(os) domésticas(os), garis e catadores(as) de materiais recicláveis, além de ser o grande contingente de pessoas mortas nas chacinas, principalmente os mais jovens.
Espera-se que, em um futuro próximo, se possa comemorar o “Mês da Consciência Negra” de forma diferenciada, havendo espaço para celebrar uma sociedade fraterna e com igualdade verdadeira entre todas as raças, o que necessitará de um amplo e árduo caminho de mudanças de postura, quebrando paradigmas e barreiras surgidas desde que o povo negro foi trazido contra sua vontade da África e começou a formar os quilombos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Blog de Ademir Damião: Ética, indo muito mais além.....

Blog de Ademir Damião: Ética, indo muito mais além.....

Ética, indo muito mais além.....



Um dos grandes dons de algumas pessoas é o de transformar determinadas palavras em clichês, utilizando-as sem que haja um aprofundamento do significado prático das mesmas no sentido de provocar mudanças nas ações humanas.
Entre tais palavras, uma merece destaque a palavra “ética”, que, atualmente, compõe o linguajar dos debates e discursos nas diferentes esferas das relações humanas no Brasil, se tornando, inclusive, bandeiras de luta de alguns segmentos sociais.
É importante ressaltar que o presente texto não tem a pretensão de repassar ensinamentos teóricos sobre o que é “ética”, porém busca efetuar reflexões sobre os efeitos que seu uso prático, no dia a dia, poderia provocar na vida das pessoas, mudando comportamentos individuais e coletivos.
Não se pode deixar de registrar que, recentemente, a palavra “ética” vem sendo ressaltada constantemente pela mídia brasileira, notadamente as redes de televisão e os grandes jornais, devido ao chamado julgamento do chamado “mensalão”, o que a faz repercutir com maior intensidade no meio da sociedade.
Neste contexto, cabe uma primeira reflexão, será que há ética numa sociedade na qual grande parte das pessoas pensa a partir de reportagens em televisões e outros meios de comunicações? Uma sociedade, em que a mídia impõe seus interesses e vontades, pode se considerada eticamente constituída? Qual ética deve ser falada em ter com os meios de comunicações sobre a propriedade de grandes grupos econômicos?
Com referência as suas relações, muitos seres humanos vêm mantendo atitudes diferenciadas daquelas consideradas “eticamente corretas”, o que se verifica nos atos de discriminações social, racial, religiosa, sexual, assim como em ações de intolerância , que chegam a provocar guerras e morte, criando barreiras e obstáculos que impossibilitam a construção de espaços de convivência harmoniosa e fraterna.
A falta de ética no seio da sociedade humana é latente pelo processo de exclusão de uma camada de pessoas, que vivem sofrendo as consequências de um sistema econômico centrado na exploração e busca do lucro, conservando o pensamento de que o “ter” é muito mais importante do que o “ser”, o que deveria ser exatamente contrário.
O processo de exclusão na sociedade fica evidente na observação do uso dos benefícios decorrentes do avanço tecnológico da humanidade, verificando-se a necessidade de mudanças urgentes, norteadas por novos princípios éticos, que proporcionem uma plena cidadania para homens e mulheres. Os seres humanos não mantém uma postura prática do ponto de vista ético no seu relacionamento com meio ambiente, ocasionando a degradação dos recursos naturais de forma acelerada, sem haver uma preocupação com o futuro de sua própria espécie e das demais ainda existentes na natureza.
Além das questões coletivas, citadas acima, deve ser lembrado que o uso da palavra “ética” não pode ficar dissociada de atitudes individuais no dia a dia de cada ser humano, tanto na defesa de seus direitos como também no respeito as demais pessoas, evitando sempre a ideia de “tirar vantagem em tudo”, pois se alguém busca tal “vantagem’ sempre significa prejuízos para alguém e para a própria sociedade.
Finalizando, espera-se que haja transformações éticas na sociedade brasileira e na mundial, que levem a garantia de igualdade dos direitos e deveres das pessoas, independente de raça, cor, e fé religiosa, o que, certamente, significará melhores condições de vida em nosso país e no Planeta.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Blog de Ademir Damião: E após a Rio+20?

Blog de Ademir Damião: E após a Rio+20?

E após a Rio+20?


As expectativas criadas em torno da aprovação de metas de sustentabilidade na Conferência Rio+20 não se efetivou na prática, sendo tomadas decisões tímidas, que pouco ou quase nada irão contribuir para minimizar os problemas atualmente existentes no Planeta, demonstrando que os chefes de estados não conseguiram superar as divergências e colocar seus interesses econômicos e políticos em segundo plano em prol da melhoria das condições socioambientais.
Os resultados obtidos em tal Conferência se assemelham aqueles de encontros mundiais anteriores, nos quais os países considerados mais ricos, busca a manutenção do “status quo”, não permitindo que avancem as proposições voltadas para reversão do quadro de degradação que atinge a população residente em áreas vulneráveis, situadas principalmente em países mais pobres.
É interessante observar que o documento aprovado pelos governantes mundiais é denominado de “O Futuro que Queremos”, porém não apresenta nem os objetivos de desenvolvimento sustentável, que só deverão entrar em vigor em 2015, logicamente se forem cumpridas as agendas definidas na Conferência e vencidos os obstáculos atualmente existentes.
Diante da situação, torna-se evidente que, apesar da crise financeira mundial, os interesses capitalistas continuam sendo mantidos, já que o encontro do Rio de Janeiro não criou mecanismos suficientes para minimizar a exploração dos recursos naturais, a destruição da biodiversidade em todo planeta, bem como a exclusão social de grande parcela da humanidade.
Neste contexto, o documento final da Conferência Rio+20 não traz esperança para crise que assola a Terra, se configurando o quadro que os governos não encontrarão saídas para o problema, sem que a sociedade civil aumente seu foco de atuação na agenda ambiental, definindo prioridades a serem atingidas do ponto de vista local e global.
A temática ambiental deve ser uma apropriação coletiva, cujo debate do tema em qualquer esfera necessita incluir os efeitos negativos do capitalismo, cujos tentáculos, que prejudica a qualidade de vida, os recursos naturais e coloca em risco a continuidade de vida na Terra.
Observa-se, então, a necessidade de ampliar a mobilização mundial no sentido de reverter o quadro alarmante que envolve a questão socioambiental na atual conjuntura mundial, pois não se pode aceitar que em defesa do desenvolvimento de cada país se mantenha o risco de devastação ora existente em diversas partes do Planeta.
A construção da agenda ambiental só se efetivará caso os movimentos sociais consigam superar as divergências existentes sobre concepção de sociedade, defendendo estratégias comuns para o objetivo maior, que é a implantação de meios sustentáveis de sobrevivência da espécie humana, englobando temas como trabalho, uso dos recursos naturais, bem estar social, saúde, educação, lazer, tolerância racial, sexual, política e religiosa, entre outros.
Finalizando, ressalte-se que, após a Rio+20, a mobilização da sociedade, com o fortalecimento da cidadania local e global, é fator prepotente para que os governos possam construir mecanismos voltados para o desenvolvimento realmente sustentável, garantindo um Planeta melhor para todas pessoas e não só para uma elite social.


domingo, 3 de junho de 2012

Blog de Ademir Damião: O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"

Blog de Ademir Damião: O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"

O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"


No momento que se celebra o “Dia Internacional do Meio Ambiente”, e por extensão a “Semana do Meio Ambiente”, é importante que se faça uma reflexão sobre os caminhos a serem trilhados pela humanidade em prol de um mundo sustentável do ponto de vista socioambiental, possibilitando que haja o uso adequado dos recursos naturais, sem prejuízos para os próprios seres humanos e as demais espécies que vivem no planeta.
A história da civilização ocidental vem mostrando uma relação de desarmonia com a natureza, na qual os seres humanos praticam uma permanente degradação ambiental sempre na busca de seus desejos de consumo e de bem-estar, baseados nos princípios de uma sociedade na qual é muito mais importante ter do que ser, e, em consequência, quem tem sempre que aumentar seus ganhos e propriedades.
Não é demais lembrar que a situação era diferente nos primórdios da civilização, com os seres humanos vivendo em harmonia com a natureza, retirando dela o suficiente para sua sobrevivência, porém, ao longo do tempo, se passou a ter uma postura de utilização insustentável dos recursos naturais, sem que houvesse qualquer preocupação com os problemas e riscos que a própria humanidade passaria ter.
A mudança de forma de relacionamento com a natureza ocorreu acompanhada da ideia de supremacia que a raça branca possuía sobre as outras, levando a diversas formas de exploração humana, que passa pela escravidão proporcionada por colonizadores europeus contra o povo negro e a população indígena, chegando à exploração da classe trabalhadora decorrente da ideologia capitalista.
Nos dias atuais, observa-se que o capitalismo mantém suas garras sobre o meio ambiente de forma desfreada, provocando risco de degradação em diversas partes, provocando danos e prejuízos tantos nas cidades como nas áreas rurais, não sendo observados sinais concretos de mudança da situação, mantendo a exclusão das pessoas que residem nas áreas de vulnerabilidade socioambiental.
Diante deste quadro, os atos da “Semana do Meio Ambiente” devem representar um momento para se discutir os passos para mudança do estágio atual de uso irracional dos recursos naturais, assim como deve ocorrer em eventos como a Rio+20, buscando sempre propostas que minimizem a crise ambiental que assola diretamente toda população humana,
Espera-se, então, que os atos contribuam com o crescimento do nível de conscientização humana no sentido da mudança de atitudes das pessoas no tocante a questão ambiental, apresentando sugestões para construção de uma nova forma de sociedade, centrada na justiça e equidade de direitos das pessoas, no qual ser seja mais importante do que ter, pois só assim se poderá garantir uma real sustentabilidade socioambiental no planeta.
Compreende-se que além de atos esporádicos, como os que irão ocorrer na “Semana do Meio Ambiente”, é fundamental uma revisão da metodologia utilizada na maior parte dos trabalhos de educação ambiental, os quais devem, também, servir de instrumentos   para que seja alcançada a transformação da sociedade.
A revisão da metodologia dos trabalhos de educação ambiental deve passar pela utilização de uma linguagem acessível ao público alvo, ou seja, necessita se encontra inserida na realidade local mantendo uma relação de troca de experiências e conhecimentos, conforme preconizado por Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.
Finalizando, é importante ressaltar que qualquer mudança no tocante a preservação ambiental se dará com o envolvimento dos diversos segmentos da sociedade na busca de soluções dos problemas existentes, verificando-se que é fundamental o fortalecimento e ampliação da cidadania e os canais de participação social nas esferas governamentais, bem como que o debate ambiental seja incluída na agenda dos movimentos sociais de forma que haja ampliação da consciência política das pessoas.