sábado, 2 de março de 2013

Blog de Ademir Damião: Superação do invidiualismo: Indo além da utopia.....

Blog de Ademir Damião: Superação do invidiualismo: Indo além da utopia.....

Superação do invidiualismo: Indo além da utopia.....

Na postagem anterior deste blog, foi realizada uma análise sobre a valorização individual das pessoas, deixando em segundo plano a valorização coletiva, o que fortalece a idéia que se deve subir de qualquer forma, passando por cima de qualquer obstáculo, inclusive de outro ser humano, já que o importante é ter status social e acúmulo de bens.
A questão da individualidade além de ser tratada como algo natural por determinados segmentos sociais, tornou-se uma prática rotineira nas relações humanas, se escutando, constantemente, que “primeiro eu e depois os outros”, além de muitas pessoas viverem buscando tirar vantagens em tudo, só querendo garantir o que é de seu interesse.
Nessa ótica, as pessoas querem estar sempre na frente das demais, como se a vida fosse uma eterna competição, observando-se que, em diversos momentos, a aquisição de determinado produto não por necessidade do mesmo, mas para se possuir um melhor do que aquele de outra pessoa, buscando mostrar um ”grau de superioridade”, que é irrelevante e totalmente fútil.  
O individualismo reinante nas relações sociais provoca um processo de relacionamento irracional com o meio ambiente por parte dos seres humanos, que tendem a efetuar o uso inadequado dos recursos naturais, que são vistos como instrumentos de satisfações pessoais, através do consumo desenfreado de produtos diversificados.
É interessante observar o discurso ético de preservação ambiental, mantido pela maioria dos seres humanos, só se refere às ações de terceiros, não incluindo suas práticas individuais, que as julgam não serem prejudiciais e agressivas ao meio ambiente.
A manutenção de tal forma de relacionamento com o meio ambiente se torna impraticável, visto o nível de problemas que necessitam, urgentemente, ser contidos e revertidos, visando à garantia da continuidade de vida no planeta, com as futuras gerações humanas se encontrando seriamente ameaçadas.
Compreendendo a importância dos trabalhos de educação ambiental, observa-se, infelizmente, que grande parte dos mesmos ainda não faz uma abordagem profunda sobre os problemas ambientais provocados pelo individualismo das pessoas, salientando que a referida abordagem deveria se basear no questionamento da ideologia do sistema vigente na sociedade.
Deve ser ressaltado que as ações educativas só irão surtir efeitos a partir do momento que cada pessoa reveja suas práticas, avaliando que há necessidade de contribuir com o crescimento coletivo da sociedade e não só pensar em si próprio, como se fosse o centro do universo.
Dentro da pluralidade da sociedade, a construção de espaços e ações coletivas se torna um desafio permanente, devendo se quebrar barreiras e conceitos enraizados, como o machismo, preconceito racial, intolerância religiosa, entre outros, que se baseiam na individualidade e na superioridade de um ser humano sobre outro e, logicamente, sobre o meio ambiente.
Como um dos passos fundamentais para mudança dessa realidade, verifica-se que as pessoas não precisam concorrer e sim atuar em parcerias, acrescentando que é fundamental o reconhecimento das virtudes e não os defeitos de seus semelhantes, avaliando que qualquer ser humano tem sempre algo para contribuir com melhoria das relações humanas e do próprio planeta.
Certamente, a partir dessa atitude, as pessoas passarão a ser valorizadas pelo seu “ser’ e não pelo seu “ter”, proporcionando um avanço no relacionamento das pessoas, o que este blogueiro espera que não seja uma utopia e chegue a se tornar realidade, pois só assim, os seres humanos estão provando que são realmente racionais, efetuando mudanças que garantam a sustentabilidade socioambiental e a própria sobrevivência da espécie.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Valorização individual ou coletiva na sociedade?



Durante décadas, os seres humanos mantêm uma cultura norteada pela competição, na qual o objetivo é que cada pessoa sempre supere às outras, alcançando ganhos sociais e econômicos, decorrentes de “sucesso” obtidos individualmente.
O processo de competição é considerado salutar e correto por determinados segmentos sociais, que compreendem tratar-se de algo natural, que faz parte do dia a dia da sociedade, a qual deve reconhecer e valorizar “os vitoriosos”, sem que haja uma reflexão aprofundada dos métodos utilizados de determinadas conquistas.
Como a ideologia do sistema vigente prega a competição entre as pessoas, verifica-se que a mesma é assimilada no interior das famílias, considera o berço da sociedade, levando os pais a disputarem o amor dos(as) filhos(as), bem como estimular a concorrência entre eles(as), fatos que geralmente ocorrem de forma inconsciente.
A doutrinação do sistema é observada com maior ênfase nos estabelecimentos de ensino, que valoriza a disputa entre os(as) alunos(as), através das olímpiadas escolares com premiação exclusiva aos vencedores e não a todos participantes, além do destaque dado aqueles(as) que obtêm as melhores notas.
A disputa dos(as) estudantes é mantida de forma permanente, tanto em escolas públicas como particulares, as quais, estão criando “turmas especiais” para os(as) alunos(as) que tem os melhores currículos escolares, separadamente dos demais, visando a obtenção dos primeiros lugares em vestibular, como se tal situação por si só, fosse fundamental para posterior formação dos(as) mesmas.
Em qualquer campo de atividade humana, se observa que há sinais de competição, sempre havendo alguém querendo mostrar supremacia sobre outras pessoas, tomando medidas e adotando posições voltadas para o que se denomina “subir na vida” e ter maior status na sociedade.
Esta busca de supremacia representa a disputa pelo poder, reinante em todas  relações sociais e não só na política partidária,    havendo o uso de alegação como  “os meios justificam os fins” para adoção de atitudes antiéticas e que só visam derrubar as outras pessoas para se manter no “poder”, mesmo que este seja efêmero ou até ilusório.
Conforme a ótica do sistema vigente, o ter é mais importante do que o ser, ou seja, as pessoas sempre estão querendo ampliar seus bens, o que leva ao acirramento da competição humana na tentativa de galgar espaços profissional e social.

É importante salientar que este blogueiro não defende a ideia que as pessoas não sejam valorizadas pelo seu desempenho individual, porém não pode ser admitida a falta de respeito às demais pessoas na busca de conquistas e ganho, como se vê atualmente em diversas situações.
Como passo de mudança, verifica-se a necessidade de incentivar, a cooperação e a solidariedade entre as pessoas, o que fará que a competição desleal e desumana fique em segundo plano, possibilitando a construção de novo formato de relacionamento humano, que contribuirá no surgimento de uma sociedade justa e fraterna, na qual haja valorização das ações coletivas com maior vigor.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Blog de Ademir Damião: A sociedade e os castelos de areia

Blog de Ademir Damião: A sociedade e os castelos de areia

A sociedade e os castelos de areia



Antes de apresentar o texto, presto uma homenagem a Austro Queiróz, meu amigo e leitor do Blog, que morreu no mês de novembro na França, onde vivia desde a década de 1980. Ele era pernambucano e foi o fundador do Movimento Cultural Phênix, que não possui vínculos político e religioso, tendo raízes em Recife, Porto Alegre e São Paulo, além de cidades europeias. Participo do Movimento desde 1996 na capital pernambucana, recebendo muitos ensinamentos de Austro, a quem sempre terei muito de agradecer. Como diz Milton Nascimento: “Amigo é para se aguardar no lado esquerdo do peito...” E Austro sempre terá seu lugar especial lá....

Bem, vamos ao texto, pois a vida continua....


Chegando ao fim de 2012, começa-se a elaboração de planos e projetos e coletivos para o ano novo, verificando-se que tal elaboração, por mais simples que pareça, necessita de uma ampla reflexão sobre seu rebatimento no futuro da humanidade, analisando sua interferência na vivência prática das pessoas.
Caso se pergunte que planos e projetos se tem para o próximo ano, algumas pessoas diriam que são os melhores possíveis, cheios de harmonia, paz, saúde e de outras palavras voltadas para o entrelaçamento dos seres humanos numa sociedade fraterna.
Contudo, cabe uma reflexão se há espaço para uma sociedade fraterna dentro do atual processo de organização de vida dos seres humanos, que mantêm a divisão de classes sociais, com a exclusão de uma camada de pessoas impedidas de usufruir dos bens de consumo e que vivem em estado de pobreza e miséria, decorrentes das mazelas do capitalismo, sistema que valoriza as pessoas de acordo com seus bens.
Por mais otimista que se queira ser, não há condições de crer na construção de uma sociedade fraterna com a atual organização da vida humana, na qual se mantém as desigualdades sociais e práticas preconceituosas do ponto de vista racial, religiosa, sexual, observando-se que muitas pessoas se fecham em si, só olhando para seu umbigo, não vendo que há vidas em seu em torno e que necessitam se juntar aos seus semelhantes para mudar a realidade,
A tentativa de construção de uma sociedade fraterna dentro do estágio em vigor da sociedade não poderá se consolidar, diante a manutenção de relações sociais centradas no favorecimento das desigualdades e na falta de respeito entre os seres humanos, comparando-se aos castelos de areias erguidos na praia, que são destruídos pela onda do mar, por não possuírem bases de sustentação, logo não resistem às forças mais fortes.
A mudança de conduta da raça humana é fundamental para alcançar uma etapa superior das relações sociais, possibilitando, então, que se possa viver harmoniosamente, respeitando as diferenças, mas garantindo igualdade de condições de sobrevivência para as pessoas em cada área do planeta, não se permitindo que ainda haja seres humanos que morram de fome ou por falta de água.
Esta nova conduta depende de um novo conceito de ética entre as pessoas, que deve ser centrado no ser e não no ter, o que poderá contribuir para diminuir o espaço que separa os ricos e os pobres, juntamente com um relacionamento harmônico com o meio ambiente, lembrando que a preservação dos recursos naturais fundamental para continuidade de vida da própria raça humana.  
Compreendendo que o ano de 2013 é um grande momento para que se inicie a construção da uma nova sociedade e para tanto, deve-se colocar em prática o ensinamento da mitologia grega sobre o pássaro fênix, que “renascia das cinzas”, ou seja, que cada pessoa possa dar sua contribuição individual e coletiva para que a sociedade renasça das cinzas, revendo práticas, que levem a uma relação fraterna entre os seres humanos.