segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma visão coletiva para a questão ambiental

Caminhando pelas ruas, observamos que muitas pessoas têm o hábito de jogar lixo nas vias públicas e terrenos baldios, cabendo a pergunta: Por que isto ocorre se já foram realizadas tantas campanhas através da mídia, mostrando os problemas que o lixo pode ocasionar?
Onde se encontra ponto crucial deste problema?
Compreendo que algo deve ser realizado para que ocorram mudanças concretas de grande parte da população, diminuindo, portanto, os problemas provocados pelo lixo sobre o meio ambiente e na vida das pessoas.
Antes de tudo, torna-se necessário deixar nítido, que não concordo que a culpa recai exclusivamente naquelas pessoas que efetuam o descarte do lixo de forma inadequada, logo não há sentido em campanhas centradas em idéias como: “Povo limpo é povo desenvolvido” ou “povo educado não joga lixo na rua”, pois tais idéias não realizam o aprofundamento das causas dos problemas, centralizando tudo na população.
A problemática desta questão envolve a visão que as pessoas possuem daquilo que é individual e coletivo, sempre valorizando a individualidade e desprezando o coletivo, por não se sentir inserido no mesmo.
Assim ao jogar o lixo nas vias públicas e terrenos baldios, as pessoas não consideram os danos que poderão causar para sociedade e o meio ambiente.
Neste contexto, o que importa é se livrar do problema que o lixo esteja causando a si, empurrando tal problema para outras pessoas, verificando-se uma visão indidualista, com a idéia de "se não me atingir, não estou nem ligando para outras pessoas".
Vê-se, aqui, a necessidade urgente de campanha educativa sobre este assunto ou qualquer outro dentro da temática ambiental, deva começar discutindo o princípio da individualidade e coletividade, deixando evidente que vivemos conectados, onde seremos afetados por qualquer dano a outro ser humano e sobre o meio ambiente.
A sustentabilidade de uma campanha se constituirá pela ampliação da consciência das pessoas, elevando o nível de organização e participação popular nas esferas governamentais na busca de soluções para os problemas que atingem a sociedade.
Neste sentido, ressalto, ainda, que qualquer ação de coleta seletiva só será exitosa se for centrada na idéia de coletividade, onde as pessoas devem ser conscientizadas sobre os ganhos coletivos a ser obtidos com a prática de separação dos resíduos na sua origem, levando a minimização dos problemas de descarte do lixo e contribuindo com uma melhoria da vida dos (as) catadores (as) de materiais recicláveis.
Naturalmente, que para aprofundar a questão da individualidade, deveremos compreender que a raiz de tudo se encontra no capitalistmo, que é altamente individualista, logo com a construção da consciência coletiva, estaremos provocando mudanças dentro da sociedade capitalista e construindo uma nova relação social entre as pessoas.

2 comentários:

  1. Alexandre (Capitão Mouro)20 de outubro de 2009 04:19

    Caro Ademir aqui de Natal-RN lei seu blog e segue poesia de minha autoria inspirada no tema por voce tratado
    seu amigo Alexndre(Ex MDF-que morou na vila dos milagres-Ibura)

    Blasé

    A cidade
    Que filma, que flagra, que multa
    Não me enxerga e nem me escuta

    A cidade
    De carros, de pedra e cimento
    É cruel e sem sentimento

    Na cidade sou invisível
    Para o sul e para o norte
    A cidade a meia noite
    È minha fada da morte

    E me oculta a toda hora
    E dia a dia me consome
    E me mastiga e me devora
    Como bolacha creme crak
    Crok! Crok! Crak! Crak!
    E me come com coca-cola
    Como coca! Como cola!

    A cidade é meu inferno
    E isso tudo e moderno
    Pois não me submete a dor
    Pois com ela só faço sexo
    Jamais fizemos amor

    Só tenho dez anos de idade
    E sou O VELHO desta cidade
    Sou dejeção social
    Silenciosa explosiva

    Dez invernos
    E ninguém me aquece
    Até a coleta me esquece
    Sou LIXO não reciclável
    Sou LIXO sem perspectiva
    Pois nesta MODERNA cidade
    A coleta é também SELETIVA
    Pois nessa cidade MODERNA
    Sou dejeção social
    Sou um aborto social
    Papel...Vidro...Plástico...Metal.....

    Capitão Mouro – Novembro 2008

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  2. Exato, Ademir. Precisamos pensar que tudo que enviamos ao mundo, volta para nós, como as coisas que jogamos no mar e ele joga de volta na praia. O cuidado com o espaço público (coletivo) precisa começar na consciência de cada um. Abraço.

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