sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Blog de Ademir Damião: Somos todos Pinheirinho: Pelo direito à moradia

Blog de Ademir Damião: Somos todos Pinheirinho: Pelo direito à moradia

Somos todos Pinheirinho: Pelo direito à moradia

O processo de reintegração de posse realizado pela Policia Militar do Estado de São Paulo na comunidade de Pinheirinho, no Município de São José dos Campos, deixou indignadas milhares de pessoas em todo Brasil, devido ao seu caráter repressivo e falta de respeito às pessoas que ali residiam, sendo uma prova cabal de como algumas autoridades públicas se colocam ao lado de interesses de grupos econômicos, usando o argumento da necessidade de se cumprir o direito de propriedade.

A história brasileira é recheada de fatos com a utilização de tal argumento por parte dos governantes sempre  se posicionando contra os mais necessitados e excluídos sociais desde a época da colonização, quando os escravos eram considerados como propriedade dos donos de terras e daqueles mais poderosos, sendo perseguidos e até mortos em caso de fuga com o apoio e a participação das autoridades públicas da época, levando a destruição dos quilombos, como o implantado em Palmares.

Verificou-se, em ocasiões anteriores, a utilização de força policial para garantir a manutenção do direito de propriedade da terra tanto nos centros urbanos como na área rural, tendo, por exemplo, o caso do massacre de Eldorado do Carajás, no Estado do Pará, que culminou com morte de 19 trabalhadores sem
terra em 1996.

Os centros urbanos brasileiros foram constituídos com diversos casos de ocupações de terras públicas ou particulares por parte de pessoas de baixa renda, sempre sofrendo  a repressão das forças militares em atendimento aos interesses privados e as determinações governamentais, sem nenhum respeito a população que realizavam as referidas ocupações, fato que agora se repete
Na comunidade do Pinheirinho.

Neste contexto, a Cidade do Recife, por exemplo, possui diversos bairros e localidades que se formaram a partir da resistência as ameaças de expulsão por parte do poder público, como se deu em Brasília Teimosa, cujo nome é o registro da teimosia e luta do povo contra tais ameaças, Coque, Coelhos, comunidades da Ponte do Maduro (Chié, Ilha de Joaneiro, Santo e Ilha de Santa Terezinha), Entra - Apulso, Sítio Grande, Coronel Fabriciano, diversas áreas de Casa Amarela e Ibura, entre outras, lembrando que nos meados do século passado, existia um programa governamental  de combate a  construção de mocambos na capital pernambucana.

Viu-se, no caso da comunidade do Pinheirinho, a utilização de forte aparato policial contra uma população pobre e desprotegida, retirando as pessoas de suas residências de forma truculenta, como se ainda o país vivesse no regime de ditadura, sem uma análise mais aprofundada do problema social que terminou sendo criado, com as famílias sendo alojadas em abrigos, que se assemelham aos campos de concentração nazista, levando a própria Presidente Dilma classifica a situação com uma barbárie.

Infelizmente dentro do regime democrático, a população brasileira continua correndo o risco de efetuar opção eleitoral errada, elegendo governantes como o do Estado de São Paulo que se coloca ao lado dos mais ricos, como a  massa falida de Naji Nahas,  proprietária do terreno onde a comunidade do Pinheirinho existia e, que, certamente, agora será objeto de especulação imobiliária.

Os fatos ocorridos em São Paulo indicam que o povo brasileiro necessita ampliar a luta para que o direito à moradia seja de fato garantido em sua essência pelas autoridades, buscando esgotar os mecanismos de negociações antes de qualquer tomada de decisão como ocorreu em São José dos Campos, afinal foi para isto que tanto se lutou por democracia neste país.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Blog de Ademir Damião: O que espera em 2012?

Blog de Ademir Damião: O que espera em 2012?

O que espera em 2012?

Analisando o ano de 2011, observou-se que a sociedade deu passos reduzidos no sentido da construção de uma sociedade sustentável, sendo mantidas as estruturas que perpetuam o “status quo”, sem avanços no sentido de diminuir as diferenças sociais assim como do uso racional dos recursos naturais.
A aceleração da crise econômica nos países do “primeiro mundo” e sua continuidade nos Estados Unidos representou um dos destaques do ano, com os governantes tomando medidas no sentido de proteger a estrutura do capitalismo em detrimento aos direitos da classe trabalhadora, lembrando que tal crise vem provocando a falências de empresas e constantes quedas das bolsas de valores em todo planeta, bem como ao crescimento das dívidas públicas, colocando o sistema capitalista em estado de choque.
Apesar da crise capitalista, observou-se a manutenção da exploração irracional dos recursos naturais, com a humanidade continuando sofrer os efeitos das mudanças climáticas em todo planeta, sem que os representantes dos governos chegassem a um acordo concreto para minimizar a situação de imediato, como se viu durante a Conferência do Clima (COP-17), em Durban na África do Sul, que prorrogou o Protocolo de Kyoto.
Dentro da ótica da sociedade cada vez mais dividida em classes sociais, o ano de 2011 perpetuou o processo de discriminações e intolerância nas relações humanas, afastado a maioria das pessoas de um convívio civilizado independente da cor da pele e das opções religiosas, sexuais, culturais, entre outras.
As mobilizações sociais em diversas partes do mundo contra o capitalismo, inclusive nos Estados Unidos, representou um fato bastante positivo, pois com tais mobilizações fortaleceram a construção de uma cidadania global para enfrentar as mazelas do modelo econômico vigente, com os segmentos sociais dando grito de alerta contra o estágio de degradação em que vivem milhares de pessoas em todo planeta.
Como destaque se teve ainda a mobilização da população de países árabes em busca da participação popular na escolha de seus governos, havendo, porém, como ponto negativo a interferência acintosa dos Estados Unidos e da OTAN em algumas situações como foi o caso da Líbia.
A construção da cidadania global depende da continuidade das mobilizações da sociedade organizada em todo mundo, tendo os problemas de cada localidade como ponto de partida para que se possam ver os problemas decorrentes da globalização e que atinge os seres humanos, como é o caso da crise do capitalismo, salientando a necessidade do uso adequado das redes sociais da internet, como vem ocorrendo com a população árabe.
A atual crise os países do “primeiro mundo” e Estados Unidos, indica que há necessidade urgente de criar alternativas ao capitalismo, buscando e possibilitando a construção de ações sustentáveis nas esferas social, ambiental, econômica, financeira, política, institucional, entre outras, passando a ter um relacionamento mais justo entre as pessoas, revertendo práticas inconsistentes da busca do lucro fácil e excessivo.
É importante acrescentar que a derrubada das barreiras impostas pela estrutura do capitalismo não é algo que se dará do dia para noite, mas se espera que sejam dados passos nesta direção em 2012, contando, principalmente, com a organização popular, construindo novos rumos na história da humanidade, assim como afirmou Karl Marx: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado... “.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

Blog de Ademir Damião: Consciência Negra: O combate ao racismo no Brasil

Blog de Ademir Damião: Consciência Negra: O combate ao racismo no Brasil

Consciência Negra: O combate ao racismo no Brasil

Vivemos o mês de novembro, o qual é denominado de “Mês da Consciência Negra”, devido à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, ocorrida no dia 20 de novembro de 1695, sendo o mesmo um dos símbolos da resistência contra o preconceito racial e a escravidão no Brasil, lutando pela liberdade do povo negro.
O que nos traz os eventos que vem ocorrendo em todo Brasil durante este mês além das homenagens a Zumbi?
Atualmente, os eventos do “Mês da Consciência Negra” possibilitam uma reflexão sobre o racismo no interior da sociedade brasileira, fato negado pela elite e até por outros segmentos da sociedade, que até admitem a existência de barreiras sociais, mas rejeitam a existência do preconceito racial entre nós.
Até hoje, existem defesas da falada “democracia racial” no Brasil, o que foi negado pelo sociólogo Florestan Fernandes, o qual, em uma entrevista a um periódico da USP, afirmou que “que tal democracia é um mito, lembrando que a democracia significa, fundamentalmente, igualdade racial, econômica e política”, estágio nunca alcançado na história do povo brasileiro.
Apesar das tentativas de negação, é evidente que o racismo impera em nosso país, com as barreiras sociais sendo consequências do mesmo, pois a grande maioria da população excluída é de origem afro-brasileira, logo as ações de inclusão social devem ser acompanhadas do combate permanente as formas de preconceito racial que permeiam as relações humanas no Brasil.
A exploração capitalista implantada no Brasil manteve, historicamente, o modelo da “casa grande e a senzala do período colonial”, tanto na área rural como nos centros urbanos, observando-se que a elite composta em quase sua totalidade da raça branca mantêm os benefícios da “casa grande” nos centros urbanos, vivendo em áreas com boa infraestrutura e oferta dos serviços públicos de qualidade, enquanto que a população negra é mantida “na senzala”, vivendo em favelas, morros ou até mesmo dormindo sobre ponte ou marquises.
As ações afirmativas de governos de esquerda nos últimos anos em nível federal, estadual e municipal, como as políticas de cotas, o apoio às expressões culturais e religiosas afro-brasileiras e combate ao racismo institucional, entre outras, indicam uma mudança de rumo de alguns gestores públicos, contudo, constata-se que há um extenso caminho a ser percorrido que possibilitem que o povo negro possa viver com dignidade e respeito.
Compreendo que além das políticas públicas, torna-se, urgente, criar mecanismos de superação do racismo no interior da sociedade, já que o preconceito racial brasileiro possui a característica de se camuflar, como explicado por Florestan Fernandes, afirmando “que o tipo de racismo brasileiro veio do modelo de relação entre o negro escravo e o branco senhor e que, depois da abolição, a discriminação continuou acontecendo, mas foi ganhando, pouco a pouco, um caráter sutil e dissimulado”.
Neste sentido, observa-se que, em diversas ocasiões, a discriminação racial se expressa pelo isolamento social, piadas, apelidos, desconfiança no olhar, sendo verificado nos diversos segmentos sociais, incluindo escolas, mostrando que o racismo se encontra enraizado na sociedade brasileira e é praticado até por crianças.
Finalizando, compreendo que é fundamental se encontra mecanismos de combate ao racismo em qualquer espaço, pois, só assim, haverá condições de se construir uma sociedade mais justa para o povo brasileiro, tornando realidade a bandeira defendida por Zumbi dos Palmares e outros homens e outras mulheres ao longo de nossa história  até os dias atuais.