terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pensando no Haiti

Tragédia. Devastação. Sofrimento. Não há palavras que possa expressar o que vem ocorrendo com a população do Haiti devido os tremores de terra da semana passada. As cenas vistas pela televisão demonstram que aquele povo vem passando por uma situação de calamidade, necessitando da solidariedade mundial para minimizar o caos ali implantado.
Compreendendo que qualquer fato, positivo ou negativo, sempre nos traz oportunidades de avaliações e mudanças, vejo que a catástrofe do Haiti apresenta um momento de reflexão, onde a sociedade mundial poderá tomar outros rumos na busca de soluções coletivas, que atenda o interesse da maioria da humanidade, diminuindo a faixa de separação entre ricos e pobres.
Hoje, com a divulgação da mídia, o mundo toma conhecimento da História do Haiti, que foi o primeiro país do Continente a realizar uma independência completa, ficando livre da colonização francesa e abolindo a escravidão de negros e negras. Após a declaração de independência, o Haiti sofreu o bloqueio de países europeus e dos Estados Unidos, sendo obrigado a pagar uma indenização milionária para França para se livrar de tal bloqueio.
Além de, ainda, ter passado um período sobre julgo norte americano em pleno século XX, o Haiti sofreu sobre o domínio de ditadores, governos corruptos e atos de grupos para-militares, culminando com a ocupação do país por de forças militares da ONU, que, atualmente, tem o comando do Exército do Brasil. Esta ocupação recebe críticas pela violação dos direitos de autodeterminação do povo haitiano, salientando que mais de 90% é de origem africana, o que pode ser comprovado pelas imagens das reportagens das emissoras de televisão, onde só vê negros e negras desabrigados nas ruas e nos meios dos destroços.
Verifica-se que a História do Haiti, ocasionou a elevação do estado de pobreza e miséria da população, onde 67% estar abaixo da linha da pobreza. Não se pode esquecer que, anteriormente ao terremoto, a população pobre do país foi a que mais se encontrava sofrendo com os efeitos decorrentes do processo de mudanças climáticas, como enchentes e tempestades tropicais.
A situação da população haitiana, divulgada mundialmente, deixa latente a miséria ali existente, onde, mesmo antes da catástrofe, persistia a falta de serviços de infra-estrutura, sendo o Haiti considerado o país mais pobre da América, estando colocando na149ª posição da classificação dos países de acordo como IDH- Índice de Desenvolvimento humano, uma lista de 182 países, se encontrando na frente apenas de países africanos e e do Afeganistão.
O povo haitiano vem mantendo o espírito de solidariedade, apesar do sofrimento pela catástrofe, o que pode ser comprovado pela busca permanente de sobreviventes entre os destroços do terremoto.
Analisando a história do povo haitiano, verificamos que a mesma é constituída de um processo de lutas pelos seus direitos, buscando sempre vencer as barreiras que tiveram pela frente, como a opressão política e a exclusão social, incluindo a descriminação racial e intolerância religiosa, logo, temos a certeza e a esperança que aquele povo encontrará forças para vencer este novo obstáculo, tornando-se protagonistas de suas vidas.
Concluindo, julgamos fundamental ajuda mundial para população do Haiti, porém cabe perguntar por que os países mais ricos também não se mobilizam para solucionar a grande catástrofe da fome que assola milhares de pessoas do planeta? não é interessante pensar um pouco sobre esta questão? qual os interesses que estão em jogo para manter milhares de pessoas excluídas socialmente?

Um comentário:

  1. ANGELO FELIPE - HISTORIADOR20 de janeiro de 2010 05:27

    Gostaria de lembrar que enquanto o Brasil manda homens armados para o Haiti Cuba envia médios, isso já antes desta tragédia. Os EUA comprou a "divida" do Haiti junto a França na intenção de transformar aquele pais em uma nova Taiwan, como também transformar o local em uma base militar dado a sua excelente posição geograficamente. O governo brasileiro mantém equivocadamente o Exército entre os haitianos sob a farsa da manutenção da paz. Para ganhar a confiança deste povo já utilizou a nossa seleção de futebol, quanto em 2006, fez um amistoso com a seleção haitiana e desfilou em carro aberto na capital Porto Príncipe, na ocasião o presidente Lula passou desapercebido no mesmo cortejo e durante o jogo em meio as manifestações e exaltação do povo haitiano em reverência a seleção canarinha. E assim o governo brasileiro compactua com a política norte americano na "ingenuidade" de que terá o apoio dos Estados Unidos para uma cadeira permanente na ONG. Como diria preconceituoso Boris Casoy: Isso é uma vergonha!



    ANGELO FELIPE - Historiador.

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