segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Carnaval:Diversidade cultural e máscara social
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A importância de ações individuais e coletivas para preservação ambiental
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A construção do diálogo contra a ditadura do saber
No último material aqui postado, usei o termo “ditadura do saber” para mostrar como algumas pessoas que possuem conhecimentos teóricos menosprezam os conhecimentos práticos de outras pessoas com menor grau de escolaridade.
Naturalmente, que este tema causa é polêmico, mas torna necessário ser visto com profundidade em qualquer relação humana, pois sempre temos o risco de cair em uma armadilha onde queremos impor nossos conhecimentos sobre outras pessoas, sem respeitaras limitações de quem estamos realizando interlocução.
A forma de escapar da armadilha se encontra centrada na idéia de escutar, que é um grande aprendizado, pois, geralmente, somos educados para falar e não temos a paciência de ouvir outras idéias, principalmente se são contrárias as nossas, onde, de imediato, queremos nos contrapor, sem, ao menos, avaliamos o que foi apresentado.
O combate a “ditadura do saber” se inicia pela constatação que ninguém é dono da verdade, já que o que verdadeiro para uma pessoa pode ser falso do ponto de vista de outra, conforme seus conceitos, hábitos e costumes.
Compreendo que a base da “ditadura do saber” passa pela concepção da verdade única de determinadas pessoas, que não aceitam o contraditório, principalmente, quando surgem de pessoas de grau de escolaridade inferior, se tornando intolerantes e autoritárias.
Reconheço que para algumas pessoas se torna difícil aceitar esta situação, já que as mesmas se encontram ainda na casa grande e teimam em manter aqueles de menor escolaridade ou de menores condições sócio-econômicas lá na senzala, caso seja feita uma comparação com o período da escravidão.
A superação das diferenças intelectuais entre as pessoas deve ser mantida em qualquer estágio de relacionamento, porém não deve se criar falsos diálogos, onde os possuidores de conhecimentos teóricos se omitem, querendo transparecer a idéia que estão garantindo o espaço para demais pessoas, o que não é verdadeiro e construtivo.
Neste caso, a omissão representa mais uma faceta dos possuidores de conhecimentos teóricos, que na realidade querem, posteriormente, mostrar que um processo deste tipo não tem validade.
A conquista do consenso não é algo fácil e rápido, porém representa o único caminho possível para que possamos ter uma sociedade sem vencedores e vencidos, ou seja, sem dominadores e dominados, já que qualquer dominação social representa a manutenção da situação que vivemos no momento e que, certamente, não vem trazendo resultados proveitosos para o futuro da humanidade.
O investimento no diálogo é o ponto inicial para que esta situação comece sofrer mudanças, onde os conhecimentos teóricos possam ser colocados frente a frente com os conhecimentos práticos, garantindo que as melhores idéias sejam assumidas por todos participantes de qualquer espaço de debate ou de construção coletiva.
A constituição de relações novas entre as pessoas dependem que consigamos construir uma convivência harmoniosa, onde os limites de cada um de nós não representem uma barreira, mas, ao contrário, um fator de agregação para um mundo novo.
Será que isto é possível ou é uma utopia?
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Ditadura do saber
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” Paulo Freire.
Estou iniciando este artigo com as frases destes dois grandes brasileiros, buscando levantar um debate sobre a “ditadura do saber”, ou seja, pessoas que, por possuir formação escolar, julgam ter maior capacidade, e querem ter poderes sobre outras pessoas de nível escolar inferior, e, podendo, então, definir os rumos em qualquer esfera de decisão.
Se olharmos para nosso lado, veremos essas pessoas agindo em diversos processos de interações, sem respeitar seus interlocutores, com atitudes arrogantes, que em nada contribui para o crescimento coletivo da sociedade.
Logicamente, que não estou defendendo a desvalorização do ensinamento escolar, mas cabe a quem possuir uma formação sabe respeitar os limites das outras pessoas, não se impondo e aceitando que tais pessoas apresentem idéias e sugestões melhores que a sua em qualquer espaço de debate.
Não podemos esquecer que só uma pequena parcela da população consegue terminar cursos superiores, contudo, encontramos milhares de pessoas que foram formadas na vida e na luta, que merecem serem respeitadas pelos seus conhecimentos e aptidões, que em algumas situações chegam superar o aprendizado nos cursos universitários.
Ressalto que na minha vida, tive oportunidade de manter relacionamento com homens e mulheres, analfabetos ou semi-analfabetos, que transmitiram conhecimentos sobre questões políticas, sociais, ambientais, entre outras, que, até o momento, não conseguir obter junto com determinadas pessoas, que se consideram “doutores” ou “doutoras”.
A ditadura do saber se encontra associada com a lógica do capitalismo, onde a elite que reinar sobre os demais setores da sociedade, os vendo com seres inferiores, mantendo-os excluídos e sem poder de decisão.
Diariamente, podemos observar a “ditadura do saber” na elaboração e implantação de projetos por parte de alguns técnicos, que não se dispõem em discutir com os diretamente interessados, não os incluindo nas diversas etapas, a partir da concepção de tais projetos.
Compreendo que a superação da elitização do conhecimento é o diferencial que podemos ter para que determinados projetos e ações não se tornem irreais durante sua implantação, já que a obtenção de sugestões junto a população, criar condições para o casamento dos conhecimentos teóricos com os práticos, ressaltando que ambos são essenciais no nosso dia a dia.