quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Ética, indo muito mais além.....
Um dos grandes dons de
algumas pessoas é o de transformar determinadas palavras em clichês,
utilizando-as sem que haja um aprofundamento do significado prático das mesmas no
sentido de provocar mudanças nas ações humanas.
Entre tais palavras, uma
merece destaque a palavra “ética”, que, atualmente, compõe o linguajar dos
debates e discursos nas diferentes esferas das relações humanas no Brasil, se
tornando, inclusive, bandeiras de luta de alguns segmentos sociais.
É importante ressaltar que o
presente texto não tem a pretensão de repassar ensinamentos teóricos sobre o
que é “ética”, porém busca efetuar reflexões sobre os efeitos que seu uso
prático, no dia a dia, poderia provocar na vida das pessoas, mudando
comportamentos individuais e coletivos.
Não se pode deixar de
registrar que, recentemente, a palavra “ética” vem sendo ressaltada
constantemente pela mídia brasileira, notadamente as redes de televisão e os
grandes jornais, devido ao chamado julgamento do chamado “mensalão”, o que a
faz repercutir com maior intensidade no meio da sociedade.
Neste contexto, cabe uma
primeira reflexão, será que há ética numa sociedade na qual grande parte das
pessoas pensa a partir de reportagens em televisões e outros meios de
comunicações? Uma sociedade, em que a mídia impõe seus interesses e vontades,
pode se considerada eticamente constituída? Qual ética deve ser falada em ter com
os meios de comunicações sobre a propriedade de grandes grupos econômicos?
Com referência as suas
relações, muitos seres humanos vêm mantendo atitudes diferenciadas daquelas
consideradas “eticamente corretas”, o que se verifica nos atos de
discriminações social, racial, religiosa, sexual, assim como em ações de
intolerância , que chegam a provocar guerras e morte, criando barreiras e
obstáculos que impossibilitam a construção de espaços de convivência harmoniosa
e fraterna.
A falta de ética no seio da
sociedade humana é latente pelo processo de exclusão de uma camada de pessoas,
que vivem sofrendo as consequências de um sistema econômico centrado na
exploração e busca do lucro, conservando o pensamento de que o “ter” é muito
mais importante do que o “ser”, o que deveria ser exatamente contrário.
O processo de exclusão na
sociedade fica evidente na observação do uso dos benefícios decorrentes do
avanço tecnológico da humanidade, verificando-se a necessidade de mudanças
urgentes, norteadas por novos princípios éticos, que proporcionem uma plena
cidadania para homens e mulheres. Os seres humanos não mantém uma postura prática
do ponto de vista ético no seu relacionamento com meio ambiente, ocasionando a
degradação dos recursos naturais de forma acelerada, sem haver uma preocupação
com o futuro de sua própria espécie e das demais ainda existentes na natureza.
Além das questões coletivas,
citadas acima, deve ser lembrado que o uso da palavra “ética” não pode ficar
dissociada de atitudes individuais no dia a dia de cada ser humano, tanto na
defesa de seus direitos como também no respeito as demais pessoas, evitando
sempre a ideia de “tirar vantagem em tudo”, pois se alguém busca tal “vantagem’
sempre significa prejuízos para alguém e para a própria sociedade.
Finalizando, espera-se que haja
transformações éticas na sociedade brasileira e na mundial, que levem a garantia
de igualdade dos direitos e deveres das pessoas, independente de raça, cor, e fé
religiosa, o que, certamente, significará melhores condições de vida em nosso
país e no Planeta.
terça-feira, 10 de julho de 2012
E após a Rio+20?
As
expectativas criadas em torno da aprovação de metas de sustentabilidade na
Conferência Rio+20 não se efetivou na prática, sendo tomadas decisões tímidas,
que pouco ou quase nada irão contribuir para minimizar os problemas atualmente
existentes no Planeta, demonstrando que os chefes de estados não conseguiram
superar as divergências e colocar seus interesses econômicos e políticos em
segundo plano em prol da melhoria das condições socioambientais.
Os
resultados obtidos em tal Conferência se assemelham aqueles de encontros
mundiais anteriores, nos quais os países considerados mais ricos, busca a
manutenção do “status quo”, não permitindo que avancem as proposições voltadas
para reversão do quadro de degradação que atinge a população residente em áreas
vulneráveis, situadas principalmente em países mais pobres.
É interessante
observar que o documento aprovado pelos governantes mundiais é denominado de “O
Futuro que Queremos”, porém não apresenta nem os objetivos de desenvolvimento
sustentável, que só deverão entrar em vigor em 2015, logicamente se forem cumpridas
as agendas definidas na Conferência e vencidos os obstáculos atualmente
existentes.
Diante da
situação, torna-se evidente que, apesar da crise financeira mundial, os
interesses capitalistas continuam sendo mantidos, já que o encontro do Rio de
Janeiro não criou mecanismos suficientes para minimizar a exploração dos recursos
naturais, a destruição da biodiversidade em todo planeta, bem como a exclusão
social de grande parcela da humanidade.
Neste
contexto, o documento final da Conferência Rio+20 não traz esperança para crise
que assola a Terra, se configurando o quadro que os governos não encontrarão
saídas para o problema, sem que a sociedade civil aumente seu foco de atuação
na agenda ambiental, definindo prioridades a serem atingidas do ponto de vista
local e global.
A temática
ambiental deve ser uma apropriação coletiva, cujo debate do tema em qualquer
esfera necessita incluir os efeitos negativos do capitalismo, cujos tentáculos,
que prejudica a qualidade de vida, os recursos naturais e coloca em risco a
continuidade de vida na Terra.
Observa-se,
então, a necessidade de ampliar a mobilização mundial no sentido de reverter o
quadro alarmante que envolve a questão socioambiental na atual conjuntura
mundial, pois não se pode aceitar que em defesa do desenvolvimento de cada país
se mantenha o risco de devastação ora existente em diversas partes do Planeta.
A construção
da agenda ambiental só se efetivará caso os movimentos sociais consigam superar
as divergências existentes sobre concepção de sociedade, defendendo estratégias
comuns para o objetivo maior, que é a implantação de meios sustentáveis de sobrevivência
da espécie humana, englobando temas como trabalho, uso dos recursos naturais,
bem estar social, saúde, educação, lazer, tolerância racial, sexual, política e
religiosa, entre outros.
Finalizando,
ressalte-se que, após a Rio+20, a mobilização da sociedade, com o
fortalecimento da cidadania local e global, é fator prepotente para que os
governos possam construir mecanismos voltados para o desenvolvimento realmente sustentável,
garantindo um Planeta melhor para todas pessoas e não só para uma elite social.
domingo, 3 de junho de 2012
O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"
No momento que se celebra o
“Dia Internacional do Meio Ambiente”, e por extensão a “Semana do Meio
Ambiente”, é importante que se faça uma reflexão sobre os caminhos a serem trilhados
pela humanidade em prol de um mundo sustentável do ponto de vista socioambiental,
possibilitando que haja o uso adequado dos recursos naturais, sem prejuízos
para os próprios seres humanos e as demais espécies que vivem no planeta.
A história da civilização
ocidental vem mostrando uma relação de desarmonia com a natureza, na qual os
seres humanos praticam uma permanente degradação ambiental sempre na busca de
seus desejos de consumo e de bem-estar, baseados nos princípios de uma
sociedade na qual é muito mais importante ter do que ser, e, em consequência,
quem tem sempre que aumentar seus ganhos e propriedades.
Não é demais lembrar que a
situação era diferente nos primórdios da civilização, com os seres humanos vivendo
em harmonia com a natureza, retirando dela o suficiente para sua sobrevivência,
porém, ao longo do tempo, se passou a ter uma postura de utilização insustentável
dos recursos naturais, sem que houvesse qualquer preocupação com os problemas e
riscos que a própria humanidade passaria ter.
A mudança de forma de relacionamento
com a natureza ocorreu acompanhada da ideia de supremacia que a raça branca possuía
sobre as outras, levando a diversas formas de exploração humana, que passa pela
escravidão proporcionada por colonizadores europeus contra o povo negro e a população
indígena, chegando à exploração da classe trabalhadora decorrente da ideologia
capitalista.
Nos dias atuais, observa-se
que o capitalismo mantém suas garras sobre o meio ambiente de forma desfreada, provocando
risco de degradação em diversas partes, provocando danos e prejuízos tantos nas
cidades como nas áreas rurais, não sendo observados sinais concretos de mudança
da situação, mantendo a exclusão das pessoas que residem nas áreas de
vulnerabilidade socioambiental.
Diante deste quadro, os atos
da “Semana do Meio Ambiente” devem representar um momento para se discutir os
passos para mudança do estágio atual de uso irracional dos recursos naturais,
assim como deve ocorrer em eventos como a Rio+20, buscando sempre propostas que
minimizem a crise ambiental que assola diretamente toda população humana,
Espera-se, então, que os atos
contribuam com o crescimento do nível de conscientização humana no sentido da
mudança de atitudes das pessoas no tocante a questão ambiental, apresentando
sugestões para construção de uma nova forma de sociedade, centrada na justiça e
equidade de direitos das pessoas, no qual ser seja mais importante do que ter,
pois só assim se poderá garantir uma real sustentabilidade socioambiental no
planeta.
Compreende-se que além de
atos esporádicos, como os que irão ocorrer na “Semana do Meio Ambiente”, é
fundamental uma revisão da metodologia utilizada na maior parte dos trabalhos
de educação ambiental, os quais devem, também, servir de instrumentos para que seja alcançada a transformação da
sociedade.
A revisão da metodologia dos
trabalhos de educação ambiental deve passar pela utilização de uma linguagem
acessível ao público alvo, ou seja, necessita se encontra inserida na realidade
local mantendo uma relação de troca de experiências e conhecimentos, conforme
preconizado por Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo,
os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.
Finalizando, é importante
ressaltar que qualquer mudança no tocante a preservação ambiental se dará com o
envolvimento dos diversos segmentos da sociedade na busca de soluções dos
problemas existentes, verificando-se que é fundamental o fortalecimento e
ampliação da cidadania e os canais de participação social nas esferas
governamentais, bem como que o debate ambiental seja incluída na agenda dos
movimentos sociais de forma que haja ampliação da consciência política das
pessoas.
sábado, 14 de abril de 2012
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