sábado, 22 de março de 2014
Racismo nos estádios de futebol: Espelho da sociedade
As atitudes racistas de determinadas torcidas em estádios de futebol tanto no Brasil como no exterior ocupam, nos últimos meses, espaços nos noticiários esportivos e da mídia em geral, provocando indignações generalizadas, afirmando-se que as mesmas são inaceitáveis e desonram as competições futebolísticas.
Os torcedores racistas emitem som parecido com o emitido pelos macacos, tentando causar constrangimento em jogadores negros, aos quais pretendem atingir com suas ações, como visto, recentemente, no Peru, São Paulo, chegando ao ponto de deixar bananas no automóvel de um juiz, também negro, no Rio Grande do Sul.
Esperava-se que o fim do apartheid, antigo sistema de segregação sul-africana, contribuísse para diminuir os casos de racismo mundialmente, porém, o preconceito não foi arrefecido e continua se agravando, com proporções preocupantes e que atingem as mais diversas formas do relacionamento humano, inclusive as competições esportivas, como ocorre nos estádios de futebol.
As ações racistas nos estádios não são fatos recentes, porém vem obtendo ampla divulgação pela cobertura dos eventos esportivos através de meios de comunicações e a própria internet, que impede “tampar o Sol com a peneira”, ou seja, não se discutir profundamente o problema.
A mídia defende, de modo geral, a aplicação de punições diretamente contra os responsáveis pelos atos racistas ou então sobre o clube cuja torcida tomou tal atitude, porém não faz reflexão sobre a necessidade de avaliar as causas da situação.
No cenário brasileiro, observa-se que os fatos ocorridos nos estádios de futebol expõem publicamente o racismo no país, algo que sempre foi e é negado por alguns setores da sociedade, os quais afirmam haver uma “democracia racial” no país, preconizando igualdades de direitos e deveres, independente da raça de cada pessoa.
Esses segmentos tentam passar a ideia que no Brasil só existem problemas de exclusão social, que atingem as pessoas menos favorecidas, independentes da cor da pela e não aqueles relacionados ao preconceito racial, esquecendo que a maioria absoluta dos que se encontram excluídos dentro da sociedade são afrodescendentes, ou seja, não há separação de uma questão da outra.
Os episódios nos estádios de futebol mostram que há, ainda, pessoas defensoras do processo de separação racial na sociedade brasileira, vivenciada na época da escravidão, na qual a população negra era colocada em segundo plano e tratada com raça inferior da elite branca, mantendo o abismo entre a casa grande e a senzala.
A intolerância racial observada nas partidas futebolísticas possibilita avaliar o cenário do dia a dia, no qual o preconceito se faz presente em várias ocasiões, em parte de forma disfarçada mais também de forma concreta, apesar das tentativas de discurso que existe igualdade de oportunidades, o que na prática não é concretizado.
Vê-se que a população de origem africana sofre diariamente os efeitos negativos de uma sociedade elitista que persiste em manter suas regalias, não aceitando, por exemplo, a implantação de políticas de superação das desigualdades no Brasil e, então, tendo como consequência a manutenção do preconceito e atos agressivos, como no caso do grande número de mortes de jovens negros.
Observa-se, então, que o racismo nos estádios de futebol espelha o que ocorre na sociedade, indicando que qualquer mudança da situação, só ocorrerá caso haja transformações no interior da própria sociedade, ultrapassando as barreiras do preconceito e da intolerância, praticados por determinadas pessoas, e passando a aceitar a igualdade, independente das diferenças de raça, assim como de credo, sexo, opção sexual, entre outras, evitando a continuidade da falta de respeito diante os atos de racistas.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
A insustentabilidade do lixo
A evolução da problemática dos
resíduos sólidos (comumente denominado lixo) se encontra diretamente ligada com
a organização histórica da sociedade humana, havendo, nos primórdios da
civilização, uma relação equilibrada com a natureza e por sua característica
nômade, observa-se uma minimização dos impactos gerados pelos resíduos, que
eram caracterizados basicamente como orgânicos e constituídos dos restos de
alimentações.
Com
o surgimento e crescimento das cidades, observa-se que vão se registrando
problemas decorrentes da geração do lixo, diante o desenvolvimento das
atividades comerciais, e, posteriormente, com o aceleramento de tais problemas
com o processo da Revolução Industrial e o êxodo da população rural para os
centros urbanos, com o lixo mudando sua caraterística ao longo do tempo,
culminando, atualmente, em uma grande quantidade de resíduos descartáveis.
A
gestão dos resíduos sólidos se tornou paulatinamente em um dos maiores desafios
das administrações municipais, visto o acúmulo dos problemas, lembrando que,
anteriormente, a questão do lixo não fazia parte das prioridades das
prefeituras, o que ocasionou o surgimento de diversos lixões, muitos dos quais
ainda continuam provocando danos socioambientais apesar de estarem desativados.
Apesar de ser uma atribuição
municipal, observa-se a terceirização generalizada dos serviços de limpeza
urbana em grande parte dos municípios brasileiros, notadamente naqueles de
médio e grande porte, baseando-se na ideia que tal terceirização oferecia
melhores condições para solucionar os entraves, incluindo a agilidade para aquisição
de veículos e equipamentos, contudo, não se observa, na realidade, a melhoria da
qualidade dos serviços prestados.
Com a terceirização, nota-se, anos
após anos, o aumento dos custos dos serviços, mantendo o lucro das empresas
privadas, sendo verificada uma padronização do uso de veículos de grande porte,
que por apresentarem dificuldades de acesso em determinadas áreas proporciona o
lançamento irregular de resíduos por parte da população.
Em busca de evitar que o lixo continue
sendo lançado sem controle nas vias públicas e terrenos baldios, as
administrações de muitos municípios desenvolvem campanhas educativas, cujos
resultados ainda não foram satisfatórios, por seu caráter pouco didático, que
partiam do princípio da culpabilidade individual pelos problemas e não
aprofundavam as deficiências das políticas públicas do setor, com mensagens como
“povo limpo é povo desenvolvido”, “povo educado não joga lixo na rua” e ”olha a
cara de quem joga lixo nas ruas”, a qual assemelhava as pessoas com um porco. .
Diante a continuidade da problemática
do lixo, vem sendo aprovadas, nos últimos meses, leis punitivas em várias
cidades brasileiras, a serem aplicadas sobre pessoas que efetuem o descarte inadequado
do lixo, buscando, através de multas, diminuir a quantidade de resíduos sólidos
lançados inadequadamente.
A lógica da aplicação das multas
individuais pelo descarte de lixo se baseia na já referida culpabilidade
individual sem aprofundamento de outras causas para o problema, incluindo a
descontinuidade das ações educativas, cujos materiais produzidos geralmente são
genéricos, não considerando a realidade de cada localidade, o que inibe o desenvolvimento
da capacidade reflexiva das pessoas sobre o tema.
A ineficiência das ações educativas se
tornam latente no tocante a reciclagem dos resíduos sólidos, apesar do discurso
oficial de vários gestores sobre a importância da política dos 3 R´s (reduzir,
reutilizar e reciclar), se observando, ainda, uma contradição na prática por parte das prefeituras que vem celebrando
contratos para efetuar o transporte do lixo para aterros privatizados, cujo
lucro depende da quantidade de resíduos ali depositados e que não são
reaproveitados.
A falta de incentivo à implantação de
programas de coleta seletiva e reciclagem representa, em muitos municípios,
outro fator que favorece o descarte inadequado dos resíduos sólidos, além de
não contribuir com a inclusão social dos(as) catadores(as) de materiais
recicláveis, como determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos, já que
essas pessoas são fundamentais para que tais programas obtenham êxito.
A situação demonstra a necessidade de
serem encontradas soluções que possam proporcionar uma melhor qualidade de vida
para população e menores riscos de danos ambientais com a geração de resíduos sólidos,
que, acima de tudo, depende da mudança de hábitos e costumes dos seres humanos, que depende, notadamente, da redução do nível de consumismo ora existente na sociedade.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Desenvolvimento sustentável: 27 anos de utopia.....
Após
alguns meses de paralisação, estamos retornando com a postagem no blog,
trazendo para o debate o termo “desenvolvimento sustentável”, surgido em 1987.
Continuo contando com a análise e contribuições dos(as) leitores(as) dos textos aqui postados.
Em 2014 completa 27 anos do lançamento
do conceito “desenvolvimento sustentável” no Relatório Bundtland elaborado pela
Comissão sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Assembleia das Nações Unidas,
cabendo, portanto, uma reflexão se o referido conceito vem sendo inserido nas ações
humanas a partir de seu surgimento.
Entre as diversas definições para o
termo “desenvolvimento sustentável”, pode-se afirmar, conforme o site da
WWF-Brasil, que é “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração
atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras
gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”, ou
seja, os seres humanos deveriam, a partir de então, pensar em mudanças de suas
atitudes para garantir a continuidade da própria espécie no planeta.
Embora presente em diversos planos, estudos
e livros didáticos, observa-se que o termo “desenvolvimento sustentável” ainda
é uma utopia a ser alcançada nas ações humanas em larga escala, ocorrendo a
manutenção de práticas consideradas nefastas que começam proporcionar danos
irreversíveis ao meio ambiente, afetando o futuro da humanidade e dos demais
seres ainda existentes na natureza.
O cenário construído pela maioria dos
seres humanos é preocupante, visto que suas ações são voltadas ao crescimento
econômico desenfreado e a busca de um excessivo consumismo, levando a geração
de uma quantidade excessiva de resíduos e o uso inadequado dos recursos
naturais, que vão se extinguindo ou tornando-se escasso.
O termo “desenvolvimento sustentável”
continuará sendo utópico enquanto faltar inclusão de sustentabilidades
ambiental, econômica e sócio-política nas ações humanas, que possibilitem
transformações concretas no relacionamento com o meio ambiente e nas relações
humanas.
Durante os últimos 27 anos,
verificou-se a realização de encontros e conferências ambientais, com a
celebração de acordos e tratados, com a definição de metas a serem cumpridas
sobre o “desenvolvimento sustentável”, porém, paradoxalmente, os problemas ambientais
continuaram avolumando nesse intervalo de tempo, como, por exemplo, aqueles
relacionados às mudanças climáticas, que afetam o planeta como todo.
Observa-se, ainda, a manutenção do
status quo da parcela da população a mais favorecida social e economicamente, que
permanecem com níveis de vida diferenciados da maioria dos seres humanos, pois
as metas de transformações não foram implantadas para rever o quadro de
exclusão social ainda vigente.
Compreende-se, então, que há
necessidade de ser dado um passo diferenciado no sentido de alcançar o
“desenvolvimento sustentável”, que, certamente, depende da construção de novas
relações na sociedade para que todos seres humanos possam viver satisfatoriamente, bem
como que haja a preservação das espécies naturais através da utilização
racional dos recursos da terra e minimização dos problemas ambientais.
domingo, 9 de junho de 2013
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