domingo, 20 de dezembro de 2009

Os presentes de Copenhague

A COP-15, em Copenhague, chegou ao fim e a humanidade continua esperando que se celebre tratado para minimizar os efeitos decorrentes das mudanças climáticas e do aquecimento global, já que, conforme noticiado, o resultado de todo debate ali realizado foi uma “carta de intenções”, sem apoio de todos participantes, empurrando para a Conferência do próximo ano, que ocorrerá no México, qualquer definição sobre o assunto.
Observarmos que não ocorreu definição sobre a taxa de redução dos gases- estufa, conforme recomendação do IPCC- Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática -, buscando evitar uma alta de temperatura superior a 2ºC C em relação aos níveis do período pré-industrial.
Em tese, os países concordam que a temperatura não deve subir acima de 2º C, porém, como cada um irá informar, posteriormente, como irá contribuir para evitar tal elevação através de estabelecimentos de metas específicas, sem haver, um monitoramento e controle dos órgãos mundiais e, somente consultas e análises.
Na “carta de intenções”, os países ricos se comprometem em repassar US$ 30 bilhões nos próximos três anos para ajudar nações pobres a lidar com as alterações climáticas, sem a definição da origem de parte dos recursos, bem como deverão ser aplicados, havendo, ainda, a perspectiva dessa ajuda subir para US$ 100 bilhões por ano, entre 2013 e 2020.
Em uma análise da COP-15, verificamos que ocorreu uma vitória daqueles que tem o interesse em manter a situação no estado que se encontra, mantendo o lucro da empresas sem reversão do quadro de degradação ambiental e emissão de gases poluentes na atmosfera.
Compreendemos que a Conferência de Copenhague não apresentou resultados concretos, pois, na realidade, qualquer questão relacionada ao controle da emissão dos gases depende, necessariamente, de mudanças no sistema de produção da sociedade capitalista, pois os interesses econômicos não devem se sobressair a questão ambiental e ao próprio futuro do planeta.
Em conseqüência da falta de decisão em Copenhague e enquanto se aguarda que os governantes cheguem a um consenso, continuaremos observando o êxodo dos refugiados ambientais, pessoas excluídas socialmente e expulsas de suas terras devido as catástrofes no meio ambiente, decorrentes de ações humanas, como secas, enchentes, queimadas, entre outras.
Contudo, podemos afirmar que a COP-15 deixa grandes presentes para humanidade na semana que antecede o Natal e que presentes seriam estes?
O primeiro deles é que a sociedade civil não pode e não deve esperar que os governantes encontrem, isoladamente, soluções para a questão das mudanças climáticas, havendo a necessidade de ampla mobilização dos segmentos sociais em busca dos problemas que vêem causando aflições em todo planeta.
A repressão sobre os manifestantes em Copenhague é uma demonstração do temor dos governamentais com a mobilização mundial em busca de soluções para os efeitos negativos do aquecimento global, portanto, cada vez mais a sociedade civil mundial tem que se encontrar mobilizada na defesa das questões ambientais e da vida no planeta.
Um segundo presente de Copenhague, é que a solução da problemática das mudanças climáticas depende da implantação de práticas sustentáveis em toda parte do mundo, passando a se ter uma relação harmoniosa com o meio ambiente, incluindo a diminuição dos atuais padrões de consumo e, como conseqüência, o excessivo descarte de resíduos na natureza.
A implantação de práticas sustentáveis depende, logicamente, na mudança de estilo de vida das pessoas, dando maior importância ao “SER do que o ter”, bem como iniciar um processo concreto de superação do sistema capitalista, pois, a raça humana continuará correndo risco de sobreviver enquanto tal sistema imperar, conforme Copenhague acaba de registrar.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Blog de Ademir Damião: Copenhague e as contradições do capitalismo

Blog de Ademir Damião: Copenhague e as contradições do capitalismo

Copenhague e as contradições do capitalismo

A atenção mundial continua voltada para a 15ª Conferência do Clima (COP-15) das Nações Unidas, em Copenhague, na Dinamarca, onde representantes de mais de 190 países vêem buscando encontrar soluções para a problemática ambiental, diante os efeitos provocados pelas mudanças climáticas.
Durante toda semana, verificamos que a mídia vem divulgando reportagens sobre os riscos que a humanidade poderá correr se não se chegar a um acordo durante a Conferência, mostrando, também, a divisão entre os países considerados ricos e aqueles considerados emergentes, como Brasil, China e Índia.
Observamos que cada parte busca defender seus interesses econômicos, não se encontrando, até o momento, um ponto consensual, ficando a expectativa de como terminará a Conferência, havendo a possibilidade de não se fechar acordo ou mesmo as decisões ali tomadas não serem aceitas por parcela dos participantes.
Neste sentido, lembramos que há 61 anos, a ONU aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que era o tema daquela ocasião como meio ambiente é na atualidade, porém, tal Declaração não se encontra implantada em quase sua totalidade pela maior parte dos países.
É fundamental que acompanhemos, com maior cuidado, as discussões e os resultados decorrentes da Conferência, buscando ver qual será o rebatimento no futuro do planeta das decisões ali tomadas, porém, de imediato, devemos ter em mente, que qualquer decisão ali tomada não irá provocar mudanças estruturais nas relações econômicas mundiais, ou seja, a lógica capitalista será mantida.
Por mais cansativo que possa aparecer, não podemos esquecer que a problemática ambiental que passa a humanidade se encontra diretamente relacionada com a separação entre as classes provocada pelo capitalismo, onde uma parcela da humanidade se encontra excluída socialmente, sem se beneficiar daquilo que é gerado nas relações econômicas, sociais e políticas, sendo as principais vítimas dos problemas decorrentes das mudanças climáticas em todo planeta, como as enchentes, desertificação, queimadas, entre outros
Compreendemos que a problemática ambiental decorre das relações dentro do capitalismo, onde, cada vez mais se amplia o abismo social, afastando aqueles incluídos socialmente daqueles que vivem em condições de miserabilidade, que vivem em estado de vulnerabilidade na área rural e nas cidades.
Verificamos que, a partir da lógica capitalista, qualquer processo para controlar os efeitos do aquecimento global, não pode passar pela diminuição dos lucros das empresas, devendo sempre o Estado em assumir a responsabilidade pelas ações que devem ser realizadas para a minimização dos problemas.
Neste período da realização da Conferência de Copenhague, podemos apontar essa contradição dentro do sistema capitalista, pois, ao mesmo tempo, que é exaltada a necessidade de ações para garantir a manutenção futura do planeta, observamos que há um incentivo ao consumismo no período natalino, não mostrando que este consumo leva a utilização irracional dos recursos naturais e geração de resíduos descartados, fatores contribuintes com os efeitos das mudanças climáticas.
Conforme já registrado, anteriormente, compreendemos que a participação da sociedade civil é fundamental para se encontrar saídas para a questão do aquecimento global, havendo, portanto, a necessidade do assunto ser incluído na pauta dos movimentos sociais, buscando ampliar a consciência sócio-ambiental da população, envolvendo-a na mobilização, para que as autoridades mundiais encontrem saídas efetivas para o aquecimento global.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Blog de Ademir Damião: O que esperar a partir de Copenhague?

Blog de Ademir Damião: O que esperar a partir de Copenhague?

O que esperar a partir de Copenhague?

Nesta 2ª feira, é iniciada a 15ª Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas das Nações Unidas – COP 15 -, em Copenhague, na Dinamarca, que deverá reunir chefes de mais de 190 países, objetivando discutir a problemática do aquecimento global e as possíveis saídas para as mudanças climáticas.
Acompanhando pela imprensa, observamos que cada país vem se posicionando com referência a taxa de redução da concentração de gases de efeito estufa n atmosfera, buscando estabelecer metas a serem cumpridas até 2020 em relação ao nível de 1990, onde no caso brasileiro, o Governo vem propondo uma taxa de 36,1 a 38,9%, se comprometendo reduzir em 80%o desmatamento na Amazônia e 40% no Cerrado.
A busca de um acordo global é o grande objetivo da COP 15, devendo ser lembrado que nos encontros anteriores para discussão das mudanças climáticas nunca houve consenso entre os países participantes, lembrando, que o governo norte americano, país que é o segundo emissor de CO2, não assinou o Protocolo de Kyoto e o congresso americano não aprovou a lei que busca estabelecer a redução das emissões dos gases.
Conforme divulgado na imprensa, a expectativa é que a nações participantes assumam metas de redução de 25% a 40% de seus níveis de emissão de carbono em relação a 1990 até 2020. A Conferência estabelecerá novas metas que substituam o Protocolo de Kyoto, que determinou em 1997 a redução de emissões de gases em 8% com base no ano de 1990.
Um acordo mundial em Copenhague deverá proporcionar mudanças no modelo de desenvolvimento mundial, com a utilização de energia mais limpa para produção industrial, diminuindo o uso de combustíveis, como petróleo e carvão.
Neste contexto, verifica-se que um acordo em Copenhague só irá ocorrer caso os interesses sócio-ambientais superem os interesses econômicos de cada país, mudando a lógica de relação da sociedade capitalista da busca excessiva do lucro, criando condições para um desenvolvimento sustentável, diminuindo os efeitos negativos da economia globalizada, mudando, inclusive, o estilo de consumo da sociedade.
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão das Nações Unidas, indica que a temperatura da Terra não pode aumentar mais do que 2º C - em relação ao período pré-Revolução Industrial - até o final do século, caso contrário, a sobrevivência humana estará sob ameaça.
Os especialistas no assunto alertam que os efeitos do aquecimento global atingem em maior escala a parcela excluída da humanidade em diversas partes do mundo, tanto no meio urbano como no meio rural.
No meio rural, observa-se que os efeitos do desmatamento, assoreamento dos rios, queimada e desertificação diminuem a fertilidade do solo, com a falta de água atingindo a população que sobrevive do extrativismo e da lavoura de subsistência, que, então, necessita de encontrar formas de sobrevivência, ampliando a possibilidade de ampliar o êxodo para o meio urbano, ocasionando a ampliação dos problemas sócio-ambientais no meio urbano.
Nas cidades, a população mais pobre que ocupa, geralmente, espaços sem arborização, com carência de serviços de saneamento em áreas de favelas e morros, sofrendo os efeitos do aquecimento global por residirem em áreas vulneráveis de enchentes, correndo os riscos de contaminação e ser atingida por proliferação de insetos e afetada por doenças como dengue, cólera, leptospirose, entre outras.
Observa-se, então, que é fundamental se encontrar saídas urgentes para questão do aquecimento global, pois, do contrário, cada vez mais se acelerará as desigualdades sociais e o abismo que separa as camadas sociais.
Finalizando, compreendo que cabe aos segmentos sociais se envolverem no debate da questão das mudanças climáticas, propondo soluções nas diversas esferas governamentais, na busca de soluções locais e globais a serem adotadas com máxima urgência, já que não se pode esperar que, nos próximos dias, os governos dos países participantes da COP 15 encontrem soluções definitivas para a questão do aquecimento global.

domingo, 29 de novembro de 2009

Blog de Ademir Damião: Democracia racial: Da utopia para realidade

Blog de Ademir Damião: Democracia racial: Da utopia para realidade

Democracia racial: Da utopia para realidade

Chegamos ao fim do mês de novembro, quando, novamente, se comemorou “O Mês da Consciência Negra’, em homenagem a memória de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.
Durante todo mês, ocorreram diversas manifestações no território brasileiro, buscando denunciar as práticas de racismo ainda reinante na sociedade e buscando garantir os direitos da população negra.
Neste momento, cabe salientar que o debate sobre a questão racial deve fazer parte permanente da agenda da sociedade, logo não podemos nos prender, exclusivamente, ao mês de novembro para debater e ver este problema, já que o preconceito continua forte em muitos setores dessa sociedade.
Com a leitura e conhecimento da história de Zumbi e do Quilombo dos Palmares, observamos a necessidade urgente da revisão dos livros escolares, os quais repassam e transmitem a idéia da classe dominante, ou seja, da civilização branca, que escravizou o povo negro e dizimou o povo índio.
Enquanto essa revisão não ocorrer, continuará se propagando que a libertação dos negros com o fim da escravidão no Brasil escravos se deu graças à bondade da Princesa Izabel e da elite da época, supervalorizando o ato assinado em 13 de maio de 1888, sem reconhecer o processo que o antecedeu.
Não podemos deixar de lembrar que para Princesa Izabel assinar ao ato de abolição da escravatura, ocorreu muitas lutas populares no Brasil, como a permanente fuga dos negros e negras dos engenhos e fazendas, a formação dos quilombos, a Revolta dos Malês na Bahia, a Cabanagem no Pará, a Revolta dos Balaios no Maranhão, entre outras.
Vemos, então, que a assinatura da dita Lei Áurea em 13 de maio de 1888, nada mais foi que a capitulação da elite dominante de que não poderia continuar com a escravidão no Brasil, diante a eclosão de revoltas populares em diversos locais do país, faltando, inclusive, com a assinatura de tal Lei, a criminalização daqueles que constituíram a escravidão no país.
Além da revisão dos livros escolares, vê-se a importância de criar mecanismos concretos de combate a intolerância religiosa por diversos segmentos sociais, que não respeitam as práticas religiosas da população negra, devendo ser salientando que numa sociedade que se diz laica, as pessoas praticantes de religiões de matriz africana devem ser respeitadas assim como são as que praticam religiões de origem judaico-cristãs, bem as demais religiões existentes entre nós, além daquelas pessoas que afirmam ser ateístas.
A idéia de uma democracia racial brasileira continuará sendo uma utopia, enquanto não se garantir os direitos da população negra, que continua relegada em segundo plano, com grande parte excluída socialmente, havendo, portanto, a necessidade da criação de mecanismos que busquem proporcionar que os negros e as negras possam se tornar atores dentro da sociedade.
Observamos, então, que o debate realizado, anualmente, durante o mês de novembro é um momento de reflexão de uma realidade nacional que, diariamente, necessita ser avaliada e transformada, sem o que continuaremos presenciando práticas raciais entre nós.
Cada um ou uma de nós, que temos a consciência do mal causado pelo racismo, deve contribuir pelo fim do preconceito racial do ponto de vista pessoal e coletivo, transformando a utopia de democracia racial em uma realidade para a sociedade brasileira.