quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Os interesses antagônicos sobre o meio ambiente
Diversos segmentos sociais vêem, atualmente, adotando o discurso da importância do uso sustentável dos recursos naturais, buscando demonstrar uma preocupação com o meio ambiente, parecendo indicar que o grau de consciência ambiental se encontra em crescimento acelerado entre os diversos segmentos da sociedade.
Mas será que tal fato é verdadeiro? A questão ambiental consegue superar outros interesses antagônicos dentro da sociedade capitalista que vivemos e se tornou uma unanimidade?
Cito, por exemplo, o caso de empresas que efetuam a utilização dos recursos naturais e buscam transmitir a idéia que tem uma preocupação ambiental através, por exemplo, de programas de reflorestamento, contudo são permanentemente denunciadas por comunidades que sobrevivem do extrativismo pelo risco de serem expulsas dos locais onde sobrevivem diante a busca excessiva de lucro de tais empresas.
Vê-se aqui que os dois segmentos fazem discurso de defesa ambiental, porém apresentam objetivos contrários do ponto de vista social e econômico, refletindo diretamente na visão sobre o meio ambiente, levando a uma distinção de tais discursos e a própria prática de uso e exploração dos recursos naturais.
Como a sustentabilidade ambiental defendida por um grupo não é a mesma defendida por outro, devido aos projetos diferenciados de sociedade, verifica-se uma disputa de espaço, aonde cada segmento busca mostrar força, inclusive no tocante ao discurso ambiental, no qual os grupos com maior poder econômico se sobressaem devido ao domínio que tem sobre a mídia.
É importante registrar que o discurso da temática ambiental se desenvolve com os diversos grupos sociais, os quais buscam demonstrar sua preocupação com o meio ambiente, entendendo que há necessidade de se avaliar profundamente as mensagens sobre a preservação do meio ambiente, buscando identificar o que encontra no fundo de cada uma delas, observando quais são os verdadeiros interesses em jogo ou se só buscam manter o discurso politicamente correto sobre a questão ambiental.
Esta avaliação é importante, porque assim se verificará a ma fragilidade do discurso ambiental dos grupos econômicos da sociedade, tornando latente que a real pretensão é manter o processo de exploração que se desenvolve ao longo de anos e anos, mantendo a supremacia sobre os demais segmentos da própria sociedade.s ehos, trazendo poucos retorno para sciedade de um mdo geral sustentabilidade, mas na prterras.
Apesar da resistência de algumas pessoas, compreendo que não podemos aceitar um discurso ambiental dissociado da questão econômica e social, já que vivemos em uma sociedade em permanente disputa, aonde cada classe defende os seus interesses, inclusive do ponto de vista do meio ambiente.
Sendo assim, não existe possibilidade que haja uma unanimidade de interesses nos diversos discursos ambientais dos agrupamentos da sociedade, pois cada um tem uma visão de mundo e busca atingir determinados objetivos, muitos dos quais em oposição a outros grupos de outras classes sociais.
Diante deste quadro, vejo que as ações educativas necessitam incluir a análise sobre a formação da sociedade e os interesses que se encontram em jogo, possibilitando que as pessoas envolvidas nas mesmas se possam ver e definir os rumos que julgarem melhor para o meio ambiente.
Um processo consciente de escolha por parte da população é um passo fundamental para que a sociedade encontre as saídas para os problemas ambientais de sua localidade e do restante do planeta, buscando superar aos interesses antagônicos de forma consciente e coletiva.
sábado, 15 de janeiro de 2011
A questão das chuvas
A população residente na região serrana do Rio de Janeiro vem sofrendo os efeitos das chuvas que ali caíram nos últimos dias, causando mortes e destruições, cujas imagens repassadas pelas emissoras de televisão deixam qualquer pessoa consternada.
Diante dos fatos no Rio de Janeiro, bem como em São Paulo e demais estados da Região Sudeste, é reproduzido o discurso que as causas do problema decorrem da falta de planejamento e ordenamento urbano, aonde as pessoas ocupam espaços inadequados, como encostas de morros, margens de rios e canais, bem como efetuam aterros de áreas de preservação, como manguezais.
Acrescente-se, ainda, que outro fator que é indicado pela causa dos problemas das enchentes se relaciona com o lançamento do lixo em locais impróprios, prejudicando o caminho das águas, devido à desobstrução do sistema de drenagem.
É lógico que não se pode discordar das questões acima, fato observado nos centros urbanos, contudo, há necessidade aprofundar a discussão do tema, para que se possa analisar a real raiz causadora desta situação, que tem um ciclo de repetição anual em todo Brasil, cujos efeitos dependem da quantidade de chuvas e das medidas preventivas adotadas pelo poder público local.
Historicamente, o processo de ocupação das cidades brasileiras se deu com a elite se localizando nas melhores áreas e os mais pobres, em grande parte expulsos da área rural por falta de condições de sobrevivência, foram obrigados ocuparem morros, mangues, margens de rios, etc.
Esta situação decorre da estrutura capitalista da sociedade, aonde a busca de lucro excessivo de uma parte minoritária da população provoca a exploração das demais pessoas, o que não é debatido pela mídia brasileira, que não realiza um aprofundamento da situação, mostrando os reais motivos para os problemas que assolam os centros urbanos.
A espoliação capitalista continuará levando as pessoas ocuparem locais inadequados para construção de moradias, criando empecilhos para um adequado ordenamento urbano, por mais ações que hajam dos governantes, notadamente daqueles de partidos da esquerda.
Compreendo, então, que estamos passíveis de situações como as ocorridas recentemente na Região Sudeste, se não houver construção de outro modelo socialmente mais justo de relacionamento econômico entre as pessoas, cujos efeitos também reverteram na relação com o meio ambiente, diminuindo as agressões aos recursos naturais.
É importante acrescentar que a relação distorcida entre o ser humano e a o meio ambiente, vem contribuem decisivamente para tragédias como a que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, logo a mudança da forma de utilização dos recursos naturais é fundamental para diminuir tais tragédias.
Como não podemos viver no aguardo da construção desse novo modelo de sociedade, o qual depende da nossa organização política, entendo que é preciso tomar medidas imediatas para evitar que o caos visto na Região Sudeste não continue ocorrendo, sendo assim, vejo como primeiro passo o fortalecimento do processo de participação social nas esferas governamentais, aonde a sociedade possa discutir e sugerir propostas para solucionar os problemas nas áreas de fragilidades sócio-ambientais.
Este envolvimento da sociedade é fundamental para que os projetos a serem implantados tenham credibilidade e sejam assimilados com maior facilidade, incluindo aqueles de educação ambiental, voltados para mudança de hábitos e costumes da população.
A sustentabilidade de qualquer ação governamental só será garantida em qualquer localidade se a população ali residente se torna sujeita da mesma, o que possibilitará a ampliação da consciência política das pessoas na busca de outro modelo de sociedade.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Um país rico em ... preconceitos
Há cada momento se observa atos preconceituosos de caráter individual e de diversos agrupamentos em todo Brasil, o que demonstra o enraizamento da intolerância entre nós, apesar da tentativa de continuar varrendo tais situações “para debaixo do tapete”, como se fosse possível esconder estes males que atingem nossas relações sociais mantidas no dia a dia.
O processo de discriminação passa por questões social, econômica, racial, sexual, religiosa, educacional, regional, entre outras, desfazendo o discurso que se buscou implantar no seio da sociedade que vivemos em um país em clima de paz e harmonia.
O Brasil não pode viver em paz e harmonia se, diariamente, são observadas ações aonde determinadas pessoas não respeitam, pó exemplo, o direito da opção sexual de outras pessoas, se observando casos de violência decorrentes da homofobia, como ocorreu neste final de semana em são Paulo e vem sendo divulgado pela imprensa.
Não há paz e harmonia no país se os nordestinos e as nordestinas são considerados como párias da sociedade por parte de paulistas, cariocas e sulistas, como aconteceu durante o período eleitoral e continua ocorrendo após a recente eleição, se pregando que o povo do nordeste deve ser considerado de categoria inferior devido à opção realizada durante a eleição, mas que, na realidade, reflete o pensamento reinante em parte das elite do Sul e Sudeste.
Não se terá relações pacíficas na sociedade brasileira enquanto persistirem idéias como as expressadas por Boris Casoy, que humilhou dois garis em intervalo de um programa jornalístico na televisão e que foi divulgado diante um áudio se encontra aberto.
A exclusão social é uma forma descriminante aonde a elite se julga superior aos demais segmentos sociais, buscando manter a classe explorada em eterna senzala como no período da escravidão, havendo a necessidade de mudar tal quadro de exploração, estando a raiz do problema na estrutura capitalista da sociedade brasileira.
O processo de discriminação necessita ser combatido permanentemente, lembrando que durante o mês de novembro se comemora o “mês da consciência negra” e, não se pode deixar de ressaltar o preconceito contra as pessoas de origem afro-brasileira, através de fatos que não ocorrem isoladamente, mas que se observam continuamente, apesar da existência de legislação punitiva para tais casos.
Este preconceito contra o povo negro se estende, automaticamente, para suas expressões culturais e religiosas, sendo, neste último caso, evidente os sinais de intolerância religiosa, com as religiões de origem afro-brasileiras sendo consideras do diabo, principalmente por pessoas que se dizem cristãs e se esquecem do ensinamento do próprio Cristo, o qual sempre proclamou a necessidade de se ”amar o próximo como a si mesmo”.
As pessoas que pautam sua vida pelos atos de discriminação se encontram carregadas de ódio, necessitando mudar as práticas e valores de vida, para que possam ser felizes e, realmente, contribuir para que o Brasil se torne um país com melhores condições para se viver, aonde as barreiras separatistas sejam superadas, caso contrário, continuaremos vivendo em uma país rico em... preconceitos.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
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