domingo, 3 de junho de 2012

Blog de Ademir Damião: O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"

Blog de Ademir Damião: O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"

O meio ambiente e a "Semana do Meio Ambiente"


No momento que se celebra o “Dia Internacional do Meio Ambiente”, e por extensão a “Semana do Meio Ambiente”, é importante que se faça uma reflexão sobre os caminhos a serem trilhados pela humanidade em prol de um mundo sustentável do ponto de vista socioambiental, possibilitando que haja o uso adequado dos recursos naturais, sem prejuízos para os próprios seres humanos e as demais espécies que vivem no planeta.
A história da civilização ocidental vem mostrando uma relação de desarmonia com a natureza, na qual os seres humanos praticam uma permanente degradação ambiental sempre na busca de seus desejos de consumo e de bem-estar, baseados nos princípios de uma sociedade na qual é muito mais importante ter do que ser, e, em consequência, quem tem sempre que aumentar seus ganhos e propriedades.
Não é demais lembrar que a situação era diferente nos primórdios da civilização, com os seres humanos vivendo em harmonia com a natureza, retirando dela o suficiente para sua sobrevivência, porém, ao longo do tempo, se passou a ter uma postura de utilização insustentável dos recursos naturais, sem que houvesse qualquer preocupação com os problemas e riscos que a própria humanidade passaria ter.
A mudança de forma de relacionamento com a natureza ocorreu acompanhada da ideia de supremacia que a raça branca possuía sobre as outras, levando a diversas formas de exploração humana, que passa pela escravidão proporcionada por colonizadores europeus contra o povo negro e a população indígena, chegando à exploração da classe trabalhadora decorrente da ideologia capitalista.
Nos dias atuais, observa-se que o capitalismo mantém suas garras sobre o meio ambiente de forma desfreada, provocando risco de degradação em diversas partes, provocando danos e prejuízos tantos nas cidades como nas áreas rurais, não sendo observados sinais concretos de mudança da situação, mantendo a exclusão das pessoas que residem nas áreas de vulnerabilidade socioambiental.
Diante deste quadro, os atos da “Semana do Meio Ambiente” devem representar um momento para se discutir os passos para mudança do estágio atual de uso irracional dos recursos naturais, assim como deve ocorrer em eventos como a Rio+20, buscando sempre propostas que minimizem a crise ambiental que assola diretamente toda população humana,
Espera-se, então, que os atos contribuam com o crescimento do nível de conscientização humana no sentido da mudança de atitudes das pessoas no tocante a questão ambiental, apresentando sugestões para construção de uma nova forma de sociedade, centrada na justiça e equidade de direitos das pessoas, no qual ser seja mais importante do que ter, pois só assim se poderá garantir uma real sustentabilidade socioambiental no planeta.
Compreende-se que além de atos esporádicos, como os que irão ocorrer na “Semana do Meio Ambiente”, é fundamental uma revisão da metodologia utilizada na maior parte dos trabalhos de educação ambiental, os quais devem, também, servir de instrumentos   para que seja alcançada a transformação da sociedade.
A revisão da metodologia dos trabalhos de educação ambiental deve passar pela utilização de uma linguagem acessível ao público alvo, ou seja, necessita se encontra inserida na realidade local mantendo uma relação de troca de experiências e conhecimentos, conforme preconizado por Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.
Finalizando, é importante ressaltar que qualquer mudança no tocante a preservação ambiental se dará com o envolvimento dos diversos segmentos da sociedade na busca de soluções dos problemas existentes, verificando-se que é fundamental o fortalecimento e ampliação da cidadania e os canais de participação social nas esferas governamentais, bem como que o debate ambiental seja incluída na agenda dos movimentos sociais de forma que haja ampliação da consciência política das pessoas.


sábado, 14 de abril de 2012

Blog de Ademir Damião: A importância da participação popular e cidadania para construção da consciência ambiental

Blog de Ademir Damião: A importância da participação popular e cidadania para construção da consciência ambiental

A importância da participação popular e cidadania para construção da consciência ambiental


A consciência sobre a necessidade da preservação ambiental ainda é um desejo a ser alcançado, pois prevalecem interesses individuais ou de determinados setores nas ações humanas, provocando o desequilíbrio na relação com a natureza com o uso inadequado dos recursos naturais e prejuízos à qualidade de vida do próprio ser humano.
 Como mais de 80% da população humana é urbana, observa-se que os maiores problemas ambientais se concentram nas cidades e suas proximidades, verificando-se práticas insustentáveis, decorrentes da ideia de supremacia do ser humano sobre os demais seres e recursos naturais.
Observa-se, então, que, devido aos interesses individuais, os centros urbanos sofrem com agressões ambientais, como corte de árvores, poluição sonora, lançamento inadequado de resíduos sólidos e esgotos sanitários, aterros de cursos de água, que, conjunta e cumulativamente, vem causando sérios prejuízos ao meio ambiente.
Logicamente os maiores problemas ambientais são provocados por interesses privados de grupos econômicos diversificados, como construtoras e indústrias, que demonstram a falta preocupação com as questões ambientais, tornando a proposta de desenvolvimento sustentável mera formalidade.
O objetivo de tais grupos econômicos é ampliar a margem de lucro, e os mesmos vem à questão ambiental como empecilho para alcançar sua pretensão, e, sendo assim, a única preocupação é cumprir a formalidade do do licenciamento ambiental, que é necessário para obtenção de financiamento junto as instituições financeiras públicas.
A camada da população de menor poder aquisitivo, tanto dos centros urbanos como da área rural, é a que mais sofre com os efeitos negativos decorrentes dos danos provocados ao meio ambiente, vivendo em situação de vulnerabilidade socioambiental, com riscos de deslizamentos de barreiras, enchentes, carência de água, estiagem prolongada, entre outros.
A construção da consciência ambiental se encontra condicionada, portanto, as mudanças de hábitos do ser humano, o que, em princípio, depende de transformações no modelo de organização da sociedade capitalista, no qual as pessoas são levadas a ter e não em ser.
A ideia e a vontade de ter é fator primordial para ampliação do nível de consumo e ocasiona a não preservação dos recursos naturais, indicando a necessidade de se encontrar soluções para o atual estágio de convivência no planeta.
Ressalta-se que qualquer transformação dos seres humanos depende de ampla ação educativa, que não apresentará resultados satisfatórios se não tiver como base o processo de participação popular e fortalecimento da cidadania local e global, que contribuirão para mudanças de hábitos das pessoas, levando-as a conviver harmonicamente com a natureza e os recursos naturais, bem como melhorando a qualidade de vida no planeta.

terça-feira, 27 de março de 2012

Blog de Ademir Damião: Meio ambiente, capitalismo e a Rio+20

Blog de Ademir Damião: Meio ambiente, capitalismo e a Rio+20

Meio ambiente, capitalismo e a Rio+20

Em junho do presente ano, a ONU realizará a Rio+20, evento que reunirá diversos países para discutir os problemas ambientais depois de 20 anos da ECO 92, buscando definir ações que garantam o desenvolvimento com sustentabilidade do Planeta,  questão que já foi objeto de debates internacionais, em outras ocasiões, antes e após a Conferência de 1992, sem a obtenção de resultados práticos.
Cabe, então, a seguinte pergunta: Por que depois de diversos encontros mundiais, ainda não foram encontradas saídas para os problemas ambientais que assolam a Terra?
Em resposta para a pergunta acima, observa-se que, nos encontros internacionais, que cada país, notadamente aqueles considerados mais ricos, demonstra que só tem a pretensão de manter seus interesses econômicos, não havendo preocupação com os problemas ambientais, buscando evitar que as empresas capitalistas diminuam seus lucros com a adoção das medidas que minimizem os danos ora existentes sobre o meio ambiente.
Neste contexto, verifica-se que não pode haver uma discussão sobre as questões ambientais dissociadas da análise do sistema capitalista, pois na raiz do referido sistema se encontram as mazelas que provocam agressões ao meio ambiente, com sérios prejuízos a qualidade de vida do ser humano.
Os problemas provocados pelo capitalismo se originam na ideia da supremacia humana sobre a natureza, bem como que determinadas pessoas são inferiores a outras, levando um processo de desenvolvimento da sociedade que só beneficiam uma pequena parcela da humanidade e causando a destruição dos recursos naturais, devido ao seu uso inadequado.
Existe a necessidade de verificar o modo de vida da humanidade, no qual as pessoas são levadas a um processo permanente de consumo, baseadas na lógica de possuir e ter sempre mais, decorrente da ideologia do sistema capitalista, tornando-se urgente a reversão deste comportamento, pois só assim a própria humanidade terá continuidade no Planeta nos próximos anos.
É interessante que, de forma genérica, as pessoas e agrupamentos sociais se preocupam com o meio ambiente, porém, na prática, tal preocupação não se consolida, levando a aceleração de problemas, cujos reflexos são sentidos pelo próprio ser humano e pela natureza, indicando que a lógica capitalista necessita ser superada urgentemente.
Registre-se, também, que os problemas ambientais atingem em larga escala, a parcela de seres humanos que se encontram excluídos dos ganhos do sistema capitalista, que, já que residem nas áreas de maior fragilidade, por falta de opções provenientes das relações sociais e econômicas impetradas pelo referido sistema.
A Rio+20 só produzirá resultados satisfatórios se aprofundar o debate sobre a relação capitalismo x meio ambiente, buscando encontrar saídas para o momento vivido pela humanidade, definindo ações que possam garantir que os recursos naturais sejam usados sustentavelmente, fato que se torna difícil se não houver uma quebra da estrutura capitalista na sociedade.
Como, na atual conjuntura, não há perspectivas para que ocorra mudança internacional nas relações econômicas, sociais e políticas, a Rio+20 servirá apenas no sentido de se encontrar paliativos para preservação ambiental dentro do capitalismo, logicamente, se a sociedade civil globalizada mostra força e participação, pois, do contrário, nem tais paliativos não serão alcançados.